16 Novembro 2009
13 Novembro 2009
Engenhocas
09 Novembro 2009
Sete Sóis Sete Luas adiado
04 Novembro 2009
03 Novembro 2009
Localidades
Localidades
28 Outubro 2009
Bonito... bonito!
Foto: BCN
24 Outubro 2009
Férias na ilha (II)
Fotos: BCN
09 Outubro 2009
Lua cheia em Ribeira Grande
07 Outubro 2009
(In)Sensibilidades
Do meu ponto de vista, houve alguma ligeireza e falta de sensibilidade na forma como o autarca abordou essa questão. As vilas da Ribeira Grande e da Ponta de Sol são, a meu ver, verdadeiros patrimónios nacionais, desde logo pela sua elevada quantidade de edifícios de inegável valor histórico. Infelizmente muitos já atingiram um alto grau de degradação, e não tem havido medidas de fundo que possam garantir a sua preservação.

Fachada lateral da casa onde nasceu Roberto Duarte Silva (vila R.Grande)
Casa onde funciona o Cartório Notarial e Conservadora dos Registos (Ponta do Sol)
Aspecto de uma casa numa das principais ruas da Ponta do Sol
Edifício ex. residência oficial do Pres. CMRG (Ponta do Sol)Meio a sério meio a brincar, constumo dizer que essas vilas podem ser consideradas as São Filipe de Santo Antão. Mas carecem de uma atenção especial.
30 Setembro 2009
Ferias na ilha
28 Setembro 2009
Momentos de silêncio
...porque Santo Antão também sente muito a dor da sua partida. Foi na Penha de França, vila da Ribeira Grande, que o trovador conheceu os primeiros raios de sol. 21 Setembro 2009
Chuva Braba
18 Setembro 2009
Floresta do Planalto Leste revitalizada
Há coisa de 2 meses, após uma breve visita à ilha, publicava este post com uma certa dose de nostalgia. Hoje, com algum alívio, respiro fundo, acreditando que aquele cenário que vira tempos atrás está a desaparecer.
Aproveitando as minhas últimas férias na ilha, fui visitar a floresta num dia calmo e ensolarado. Apanhei o carro até a localidade de Corda e, a partir dali, caminhei à pé até à Cova, contemplando as belas paisagens que tal caminhada me proposrcionava.
Cedo pude me aperceber de que o perímetro florestal estava mais alegre do que meses antes. É certo que ainda não tinham caído as primeiras chuvas, mas dava para notar que, pelo menos, havia mais cuidado, mais zelo para com aquela coqueluche de Santo Antão. Vi dezenas de trabalhadores (homens e mulheres contratados pelo MADRRM) empenhados na limpeza da floresta. E eu, cheio de entusiasmo, comecei a registar algumas imagens (filmagens e fotografias) daquela azáfama que fazia lembrar as antigas FAIMO. Nisto, uma das senhoras que integrava um dos grupos de trabalho, olha para mim com ar de reprovação e exclama: "ógora bo te terbalhá bô sô... e nôs nô te marrá môn. Dpôs bô te recebê... bo te bem trêzên's."
Qual menino tímido, recolhi a minha câmara e prossegui a jornada, agora fotografando paisagens, convencido de que estas, as paisagens, nunca iriam resmungar à medida que fazia clique no disparador.
Tenho dito sempre que a estrada Porto Novo - Janela, não obstante a sua incontestável importância, significou um revés para os moradores do planalto Leste, já que o trâfego se desviou para o litoral. Mas, por outro lado, agora quando se passa pela floresta a sensação de descoberta é maior. E se estiver bem tratada e com mais árvores...
Que as águas deste Setembro chuvoso sejam tão abençoadas a ponto de fazerem garantir as tais 30 mil plantas. E, claro, que não haja incêndios!

3 meses atrás e agora
Fotos: BCN
14 Setembro 2009
Nha ilha que txuva (II)
Obs: não sei quem fez as fotos. recebi-as by mail
11 Setembro 2009
10 Setembro 2009
Taça Independência em Porto Novo
20 Agosto 2009
29 Julho 2009
koraja sempre, Manuela!
27 Julho 2009
Visões
1. Visão Global - Na útltima edição (26 jul) do programa Visão Global, da TCV, Corsino Tolentino nas suas notas finais, propôs a realização de uma edição do programa na ilha de Santo Antão. Dizia ele que há muita coisa para falar sobre a ilha, desde logo a começar pela questão da descentralização.
Fiquei feliz! É muito bom ver pessoas do gabarito de CT fazer propostas como estas, desde logo porque a ilha de Santo Antão tem sido bastante esquecida ao longo dos anos (não, não se trata de um clichê, até porque tenho pouco jeito para alimentá-los. Trata-se, antes, de uma constatação)
Por exemplo, desde inícios dos anos 80 que os produtos agrícolas da ilha são embargados por causa dos milpés, sem que ninguém, ao longo de loooooogas duas décadas e meia, se tenha manifestado. Aliás o problema passa mesmo à leste dos círculos in da (alta) sociedade (b)verdiana. Outros há que desconhecem por completo o problema que tem deixado a ilha isolada e abandonada à sua sorte (à seu azar, queria dizer)
Agora, surge a notícia de que dentro de 10 meses, a ilha poderá exportar seus produtos para todas as ilhas, e para o estrangeiro, graças ao Centro de Pós-Colheita, Conservação e Inspecção, a ser construído em Porto Novo. Espero que o projecto venha a se concretizar no prazo estabelecido, quanto mais não seja para que possamos vangloriar de um dia terms conseguido fintar a PDM (nada de confusões! Para não estrapolar, clique aqui)
2 – Visão sólgód - Há dias via no Jornal da Noite da TCV, uma reportagem na qual os moradores de Porto Mosquito, localidade do concelho da Ribeira Grande de Santiago, reivindicavam o facto de há já alguns meses não terem acesso aos sinais da TV pública nacional. Voltando as antenas para a outra Ribeira Grande (a de Sintadés), pus-me então a pensar: - coitado dos moradores da Freguesia de Santo Crucifixo, Santo Antão. Os pobres diabos já levam mais de 2 anos a ver (apenas) areia saltitar freneticamente no ecrã das suas TV's, quando, involuntariamente, pressionam o botão onde deveria estar programado o tal canal.
A população da freguesia, por razões óbvias (???) não tem uma câmara para a qual poderia fazer biocos e dirigir choros do género: nu mesti odja notícia, novela... a nos é koitadu, nu ka teni nada fozi, inda nu ta paga... Humms, estou a ver, sim, o rosto de um homem de meia-idade, ar sério, de boné à cabeça, a dizer para um microfone de cone alaranjado: nôs é eskcid, no te fká p'rei ness ku de mund, no'n d'oiá um nutiça, nos têmbê no m'stê oiá Valdmar Pires, novela, e otrôskosa k (e'n) t''intressóns. Afnal no te pagá um taxa de kués 500 melrrês...
Pois, a população local, paga a sua taxa mensalmente e em troca recebe areia nos olhos. Poxa, 2 anos te salgá uns gent oi, convenhamos, é muita méldéde! Um verdadeiro atentado aos Direitos Humanos, pá!
Soube agora que a RTC já prometeu resolver o problema nos próximos tempos. Bem...
24 Julho 2009
15 Julho 2009
O vale, o verde e a (falta de) estrada (II)
Há três anos (sim, Sinta10 já tem uns dôs dia), publicava neste espaço um post a reivindicar uma estrada decente para Ribeira da Torre.08 Julho 2009
03 Julho 2009
Aconteceu este fim de semana...
02 Julho 2009
Mar brób
Historicamente o homem destas ilhas sempre travou uma luta com a Natureza, a ponto de ter aprendido "a comer pedras para não perecer". Essa luta assume contornos diferenciados, dependendo, como é óbvio, das características do próprio meio envolvente. Uns trepam íngremes montanhas a procura de um pão, outros desafiam o mar bravio, enfim...Mar Mónse ne Cais de Porto Novo
30 Junho 2009
Viagens na minha ilha
Tenho escrito muito sobre o vale da Ribeira da Torre, aqui no Sinta10. Desta vez, o olhar e a pena são de fora, logo insuspeitos. Eis o texto: " Uma das ribeiras mais sinuosas de Santo Antão, a Ribeira da Torre é um convite à descoberta de pequenas plantações de banana, ao longo das encostas e propriedades agrícolas familiares ricas e exuberantes. A estrada, de terra batida, ladeia um grupo de coqueiros que balança ao sabor do vento, como num acto de boas-vindas ao visitante.
Da origem da designação Torre pouco se sabe, mas tudo indica que a imponente torre de pedra que se ergue logo na primeira curva, no lugar de Longueira, não passou despercebida aos primeiros povoadores do local. Longueira é, também, o nome de uma das maiores propriedades agícolas da região. Cana-de-açúcar, banana, mandioca, papaia, bata-doce, são produtos que se podem encontrar aqui, ao lado de árvores de fruta-pão e um dos mais antigos trapiches de aguardente da região.
Atravessada por cursos de água de regadio que desce das encostas, a estrada penetra a ribeira, onde serpenteiam levadas que trazem a água fresca das fontes no alto das rochas e dos reservatórios. Das casas das encostas chegam-nos os acordes dos últimos êxitos dos artistas locais radicados na Holanda; janelas e portas abertas, pátios solarengos convidativos à contemplação e ao lazer. O clima é mais fresco, húmido, porque os raios de Sol apenas aqui e ali se fazem sentir e durante poucas horas do dia.
Ao longo de mais de uma hora de marcha plantações e povoações sucedem-se e a ribeira estreita-se, entre duas vertentes agudas na rocha, para tornar a abrir-se num pequeno e curto vale, antes da próxima e misteriosa curva.
No final do nosso passeio, chegamos a Xô Xô onde se encontra a antiga propriedade da família Rocheteau: a velha casa cor-de-rosa de batentes de portas e janelas azuis, isolada, à sombra da vertente da montanha que se ergue várias dezenas de metros acima. A família há muito que deixou Santo Antão rumo a Portugal. A propriedade pertence agora ao Estado. Mas todos na região se recordam e falam do senhor Rocheteau como se fosse um parente...
Depois de Xo Xo a estrada – agora calcetada – faz uma curva para a direita e inicia uma subida íngreme, torneando a encosta, para ir ao encontro da estrada principal que liga Ribeira Grande a Porto Novo. O caminho é lento e depois de se ter percorrido toda a Ribeira da Torre, é preciso muito fôlego para continuar, mas vale a pena. Grupos de turistas e visitantes costumam combinar o encontro com a carrinha de transporte no final da caminhada. "
26 Junho 2009
Decadência II
18 Junho 2009
Decadência
Há algumas semans a OADISA (Organização das Associações para o Desenvolvimento Integrado de Santo Antão) veio à público mostrar-se preocupada com o "estado degradante" em que se encontra a floresta do Planalto Leste, em Santo Antão.11 Junho 2009
Festival Nacional de Violino está de volta
Eleições? A próxima, (in)felizmente só acontece daqui a 2 anos. Por isso, está de regresso à vila da Ponta do Sol, o Festival Nacional de Violino que, no ano passado, não se realizou por causa das eleições autárquicas (má ukiê kum kosa teria a ver k'ot, ein?!!)Para além do violino, Travadinha tocava também viola (guitarra de 12 cordas), cavaquinho e violão.
Faleceu em 1987, no auge da popularidade.
09 Junho 2009
Juventude em Marcha na Net
Já está disponível na Internet o Site do grupo teatral Juventude em Marcha, do Porto Novo. Com muita informação sobre o grupo, a página ainda disponibiliza um importante acervo fotográfico sobre os diferentes momentos de actuação do mais antigo agrupamento teatral de Cabo Verde, em actividade.Consulte o site aqui
12 Maio 2009
Metáfora
09 Maio 2009
Para lá do asfalto
Esta opção é a mais natural por diversas razões. Primeiro, porque a infra-estrutura é moderna, asfaltada e sem grandes declives, o que faz diminuir consideravelmente o tempo de viagem. Alia-se à tudo isso o facto de uma estrada em superfície mais ou menos plana representar menos gastos para as viaturas do que uma via de montanha, com muitas inclinações, como é o caso da estrada que passa pelo Planalto Leste.
Mas em matéria de ganhos, os habitantes do concelho do Paul têm muitas razões para estarem radiantes. Por exemplo, um morador de Janela, que antes estivesse em Porto Novo era obrigado a galgar cerca de 49 kilómetros para chegar ao seu destino. Ora, pela nova estrada, esse mesmo habitante precisará apenas de 23 kilómentros, ou seja, menos de metade daquilo que antes era obrigado a fazer.
Já em relação a um ribeira-grandense, o percurso ficará praticamente igual em termos de distância (cerca de 36 kms), mas com a vantagem de o percurso ser feito em muito menos tempo.
Por conseguinte, é previsível que a (velhinha) estrada que passa pelo planalto leste venha a sofrer de forma drástica uma diminuição do seu tráfego, o que não significa que venha a deixar de ter importância. Construída na década de sessenta, essa estrada foi desde então, e até dias atrás, a única via de ligação entre os eixos sul e norte da ilha. Tida como uma das melhores, senão mesmo a melhor, infra-estrutura construída na ilha no século XX, a estrada continua a ser um dos ex-líbris de Santo Antão, sobretudo devido à forma engenhosa como foi construída por entre montanhas abruptas e serpenteantes, aliada à diversidade da paisagem que a envolve.
De facto, um visitante nunca ficará indiferente perante cenários paradisíacos como o da zona de Água das Caldeiras envolta num manto verde de pinheiros e cedros e que se estende até a zona da corda. Igualmente, é de se cortar a respiração partes como o troço que atravessa a zona do Delgadin, com o profundo vale da Ribeira da Torre ao fundo, e outros recortes, autênticos miradouros que fornecem vistas panorâmicas para falésias e vales profundos.
Enfim, embora ainda não disponha de um anel rodoviário que satisfaça todas as necessidades da ilha, Santo Antão pode já orgulhar-se da peculiaridade das estradas que tem. Por exemplo, a antiga que liga Porto Novo à Ribeira Grande, ou vice-versa, é uma autêntica obra de arte, rasgada sobre montanhas que atingem o céu, e a recém-inaugurada Porto Novo-Janela, é peculiar pelos seus dois túneis, únicos até agora em Cabo Verde. Poderíamos falar ainda dos pormenores de outras rodovias da ilha como a de penetração do vale da Ribeira Grande, ou ainda, a via (o caminho, talvez) que liga Ponta do Sol às Fontainhas.
Para terminar... as vantagens da estrada Porto Novo - Janela afiguram-se múltiplas. Mas, por agora, quero apenas pensar num pormenor: o Farol de Boi. Vítima de longos anos de abandono, é de se esperar que venha a ter outra sorte nos próximos tempos. É que, se antes ficava isolado, agora a nova estrada passa aí mesmo ao lado.
Já não faz sentido, pois, cantar Janela na bo cantin bossô. Como disse um morador, no dia da inauguração, Janela já tem túnel, Janela agora te esticá mom e ta dá Porto Novo monzada.
Fotos: aqui
07 Maio 2009
Depois da tempestade...

Ao que parece a chuva resolveu dar uma trégua lá pelas bandas do Norte de Sintadés e, logo, as pontes despontaram-se. 24 Abril 2009
20 Abril 2009
17 Abril 2009
Tê Qu'Enfim... Realidade
Passados dois anos após ter escrito este post sobre essa estrada, eis-me aqui de novo, agora com outro desejo que não aquele de voltar a ser criancinha, bla, bla, bla. Quero mais é chegar à ilha, pô pé ne kémim e dá um giro estrada-fora a contemplar as falésias, os recifes e a vista panorâmica sobre o Atlântico.
Afinal, a ténue luz que durante loooooongos anos permaneceu no fundo do túnel, transformou-se agora em várias luzes que se espalham por dois túneis. E quero contemplá-los, hehehehe.
*Não sei quem fez as fotos. O meu amigo também não
08 Abril 2009
E se Estritin fosse "canyonado"?

Até a chegada da notícia de que Santo Antão iria acolher de 5 a 12 deste mês a 8ª reunião de Canyoning, eu conhecia muito pouco sobre a modalidade. Fui então pesquisar e vi imagens impressionantes desta modalidade desportiva radical. Logo lembrei-me de Estritin, uma ribeireta situada nas entranhas de Caibros, concelho da Ribeira Grande.
Canyoning chega em Santo Antão

29 Março 2009
Vultos da Ilha
Frénk de Pi, Senhor Ontôn, Nha Lolita... são alguns dos nomes hilariantes por que ficou também conhecido esta figura carismática da ilha de Santo Antão. O actor ganhou este ano o prémio Mérito Teatral da Associação Mindelact e recebeu a distinção, ontem, Dia Mundial do Teatro.
A este vulto da ilha, uma das figuras santantonenses mais populares de todos os tempos, Sinta10 faz um tchintchin: à sua saúde e à saúde das nossas gargalhadas.
27 Março 2009
Palmas pr'AMI-RIBEIRÃO
Tenacidade da mulher de Santo Antão petrificada em estátua

A Associação dos Amigos de Ribeirão/Campo de Cão (AMI-RIBEIRÃO) Homenageia hoje, 27 de Março, a mulher santantonense com a inauguração de uma estátua na localidade.
Ribeirão, outrora uma localidade árida e extremamente carente, ganhou na última década, uma dinâmica que a tem transformado numa região bastante próspera. Tudo, graças ao associativismo. Muitas famílias que antes dependiam quase que exclusivamente das estafadas FAIMO, têm hoje a sua própria fonte de rendimento com base, sobretudo, na agricultura com o sistema de rega gota-a-gota.
O presidente da Assembleia Nacional, Aristides Lima, vai marcar presença no acto de inauguração da estátua, com 2,5 metros. O empreendimento homenageia a tenacidade da mulher da ilha. Uma mulher que sobe ladeiras, desce covoadas, atravessa kilómetros de caminhos vicinais de carga à cabeça; uma mulher que foi à São Tomé e regressou agastada, mas permaneceu tenaz; uma mulher "sem anel nem colar, prata e ôr, de lenço mórrod, sem véidéd nem méldéd; de cachimbo à boca, estrrachada"...
01 Março 2009
25 Fevereiro 2009
Momentos

Fotos: BCN
18 Janeiro 2009
17 de Janeiro - Ribeira Grande né festa
11 Janeiro 2009
Uma escalada ao Topo de Miranda
Topo de Miranda (ou Tôp d'Mranda no vernáculo) é a emblemática torre que se ergue no meio da Ribeira da Torre. Aliás o nome do vale deve-se precisamente ao monte.O vale é conhecidpelas suas inúmeras maravilhas que vão desde as extensas plantações de bananeira e cana de açúcar, passando pelos seus recantos imponentes como é o caso de Xoxô, que, como um dia comentou Paulino Dias "é, sem dúvida, um dos lugares mais belos deste país (...) pela semi-circularidade das montanhas ao redor, a frescura, a harmonia, a idéia de "fechadura" que se desenha desde à entrada do Canto, passando pela borracha, até chegar no viradouro embaixo dos pés de manga..." 
07 Janeiro 2009
Bonança ou bobrança?
Na ressaca das chuvas de Outubro e Novembro passados, as meradas, seladas e ladeiras de Santo Antão vão produzindo o que podem. Não se pode dizer que estejamos a reviver os tempos de dçapá bóbra fezê bécia, mas que bobra ti tá dá até n'altura, lá isso ninguém pode negar.
Fotos: BCN13 Dezembro 2008
Reencontro
O Natal está à porta. Eu vou p'ro meu Sintadez, estou ansioso! Este ano a ilha virou uma autêntica "Europinha". Os meses de setembro e, sobretudo, outubro bafejaram a ilha com muita chuva. "Dizem que o campo se cobriu de verde, da cor mais linda que é a cor da esperança". Quero ver e sentir o bafo da terra-minha. Quero recordar Cabral e acreditar em Nunes: "sonho que um dia..."Enfim, apetece-me dizer que vou para o meu planetinha, o meu planetinha verde, que tanto estimo!
Pedra em Estritin
27 Novembro 2008
Corvo
Gosto muito deste lugarejo. É uma das muitas zonas encravadas do concelho da Ribeira Grande. Os carros não chegam lá, mas há telefone e energia eléctrica 24 horas por dia. Corvo sofre muito com o êxodo rural e hoje o lugar é maioritariamente habitado por pessoas velhas ou de meia idade. A maioria dos nativos migraram-se principalmente para Ponta do Sol, que é a vila mais próxima.foto: fonte aqui
15 Novembro 2008
"BAGDAD" paralisado
Esta notícia fez-me recuar alguns anitos (cerca de seis) e recordar a altura em que percorríamos diariamente a pé o trajecto Ribeira da Torre - Vila da Ribeira Grande, para assitir às aulas no liceu Suzete Delgado. Bem, no meu caso, nem eram grandes distâncias. Da minha Ribeirinha de Jorge até ao centro da vila são menos de 3 kilómetros, percurso esse que fazíamos em 25/30 minutos. Mas tinha colegas de turma que, por morarem mais acima, galgavam a pé cerca de 5 ou mais kilómetros até chegarem ao liceu.Ainda não havia autocarros e estávamos tão acostumados! A nossa maior inimiga era, sem dúvidas, a fumaça levantada pelos carros e pelas esporádicas ventanias. Éramos obrigados a lavar o nosso uniforme duas ou três vezes por semana, porque senão, a gola que era verde-clara ficava castanha. Mas não era só a roupa. Os nossos sapatos também sofriam. As solas gastavam-se facilmente e, (in)felizmente, ainda as lojas chinesas eram insignificantes.
À entrada da vila, lá na K'Beça de Vaca como diz minha avó, montávamos uma autêntica estação de lavagem e recauchutagem das nossas "rodas", para que elas não parecessem castanhas em vez de pretas.
Bem, hoje há viaturas de aluguer a cobrar 20, 30, 50 escudos, conforme a distância, para quem quiser e tiver possibilidades de ir de carro. Há também o autocarro escolar para aqueles que moram um pouco mais distante - o "Bagdad - conforme os rapazes trocistas do vale o apelidaram por causa da sua cor que mais parece uma máquina das Forças Armadas. Neste momento está parado por causa das péssimas condições da "estrada" de penetração do vale. A "estrada" que corre para o mar sempre que uma chuvinha mais intensa origina um ribeiro.
Fotos: asemanaonline
13 Novembro 2008
No (vo)AR
08 Novembro 2008
"Grétas" da minha ilha
03 Novembro 2008
A magia do Bana no Auditório Nacional

Quem há alguns meses lia as notícias sobre o estado de saúde do Bana em Lisboa, certamente não pensou que, hoje, passado pouco tempo, o artista pudesse estar de volta aos palcos com tanto fulgor, talento e, acima de tudo, boa disposição.
- Na morna Lora Bana chamou uma jovem e fizeram dueto. A menina foi corajosa, mas passou no teste;
- Na coladeira mexê mexê Bana esboçou um pé de dança e o auditório entrou em delírio. Que ovação!;
- Antes de interpretar Maria Bárbara Bana dedicou essa morna a uma criança desconhecida que através de um terceiro lhe tinha enviado um recado: "iria ao concerto só para o ouvir cantar Maria Bárbara";
- Na parte final, Bana diz: "ja'm ti te bem dá más só 2 muzca: um é pa cabá, ot é pa consolá"(...) e'm tem 5 minuto pa'm pensá que música ti te bem ftchá bsot ess not". Esta foi mais uma tirada de humor que deixou a plateia dodu;
- E para acabar mesmo, Bana despediu desta forma: "bsot é maravilhoso, bsot é estrondoso... mas... mim também e'm ca ta fcá pa trás"
Enfim... momentos desses são raros neste país de música. Está de parabéns quem teve a ideia de voltar a trazer o Grande para o Auditório, desta vez não para interpretar apenas 4 músicas, felizmente. O concerto de ontem mostrou que o público, seja ele da Praia, de Soncnet, Sintanton, Fogo, Brava... está sedente de mais eventos culturais.
Parece que o Auditório Nacional - até bem pouco tempo tido como um autêntico Elefante Branco, começa a ganhar alguns pigmentos diferentes... digamos mais naturais. Que venham agora outros artistas: Cesária Évora, Tito Paris e a sua Orquestra (o tal sonho), Tcheca, Princezito, Teatro, dança... pelo menos tud fim-de-seman um evento, hehehehe (sonhar é bom)
Hah, em jeito de basofaria: a última música da noite, a tal consolança, foi Fitche Fatche na Tracolança. Música que relata um "fitche fatche" na Ponta do Sol, vila sintadezense.25 Outubro 2008
A propósito de Santo Antão Património Nacional
Sinta10, como é óbvio, não poderia ficar indiferente a este post. Pode ser que tenha sido realmente um delírio. É que vem de uma Ala que está muito à margem, logo dá para desconfiar. Mas, de todo o modo... vou embarcar também neste "delírio".- riqueza;
- encanto;
- um Património Nacional, logo... um DELÍRIO
Pena que eu seja um suspeito, mas ...
22 Outubro 2008
Levá ma trêzê
As últimas cheias em Santo Antão não só levaram muita coisa para o mar, como também trouxeram outras para a ribalta. Que o diga a população da vila da Ribeira Grande que está agora a sofrer com os efeitos do cheiro de "derivados de óleos queimados e gasóleo", vindos à superfície depois das enxurradas de 6 e 7 de Outubro.De repente, a população se desperta para o problema da poluição ambiental que há anos afecta o concelho. O caso da lixeira em Barbasco é, talvez, o caso mais gritante, com a população de Monte Joana e zonas limítrofes a inalarem o fumo que diariamente sai dessa ligeira rumo ao planalto. Estas cheias podem ter dado o mote para que venham a aparecer soluções para os problemas de poluição no concelho. Sobre a localização da central electrica, há muito que se fala no projecto da central única. Quanto à lixeira...
20 Outubro 2008
Sete Sóis Sete Luas
Hipótese
12 Outubro 2008
E tudo Outubro levou
04 Outubro 2008
Um património com nome de boi, mas... sem força
Depois da tempestade...Bem não sei se digo que vem a bonança. Prefiro apenas pensar que a Meteorologia esteja a prever dias menos zióg.
Não estou a falar de furacões, daqueles que nos chegam, felizmente só pela televisão, e vezes sem conta arrasam sobretudo países das Caraíbas e costa dos Estados Unidos. Refiro-me à tempestade de insensilidade que tem afectado o Farol Fontes Pereira de Melo, vulgo Farol de Boi, sito no Nordeste de Santo Antão.
Costumo ser um indivíduo um bocado céptico, ou então um espécie de São Tomé que para crer precisa de ver, com os seus (próprios) olhos, naturalmente!Por isso mantive sem euforias quando, na semana passada, via e ouvia o ministro das Infraestruturas e Transportes, Manuel Inocêncio, a anunciar na TCV que já existe, ou vão conceber (já não me recordo) um projecto para recuperar o já tão definhado Farol de Boi. E para dar corpo ao meu cepticismo fui revolver os meus arquivos e reler um apontamento sobre esse farol, da autoria de Rosendo Pires Ferreira, publicado na antiga revista Ekhos do Paul, ediçao nº 2, segundo trimestre de 1992.
O autor começa por fazer uma breve incursão pela história e escreve que o farol “foi mandado
construir por Portaria Régia de 2 de Abril de 1884, para indicar a entrada do canal de Sao Vicente pelo Norte, iniciou a sua actividade a 15 de Maio de 1886, conforme AVISO DOS NAVEGANTES publicado no Boletim Oficial n17, de 17 de Abril desse longinquo ano”. O artigo prosegue a indicar o papel de “importância transcendente” que o farol “desempenhou na rota dos navios que cruzavam o Atlântico medio e particularmente nas rotas dos Sul e para as Américas”; lança um olhar sobre as características que fazem do Farol de Boi um “bem histórico-patrimonial” para, já na parte final, abordar o futuro dessa magnífica obra.
Ah, pois... é aqui onde eu queria chegar! Segundo Pires Ferreira, em Novembro de 1991, a AMIPAUL, em carta dirigida ao então Ministro da Educação, que também na altura tutelava a pasta da Cultura (...) “chamou a atenção do governo para esse Património Histórico Nacional (...) e solicitou o reconhecimento formal dessa qualidade”. Entretanto, fazia notar o autor, “mais de seis meses depois (...) nenhuma reacção oficial foi tornada pública a esse respeito”
Posteriormente, ao que parece, soube-se que a então Direcção-Geral da Marinha Mercante teria a pretensão de “transformara essas instalações num museu”, ideia que seria prontamente acarinhada pela AMIPAUL conforme faz notar Ferreira ao escrever que aquela Associação declarava “apoiar sem reservas a ideia”, ou então que “ela [a AMIPAUL] se prontificou a dar o seu apoio na busca de fontes de financiamento para a concretização dessa ideia.”
Vejamos: passam hoje 16 anos após este texto ter sido escrito e a situação mentém-se inalterável. Ou seja, nada foi feito para recuperar/preservar essa construção centenária e hoje o monumento está a cair de podre. O máximo que conseguiu foi ver as lentes da sua lanterna desactivadas e substituídas por modernas lentes à energia solar, instaladas ali mesmo nas imediações.Por tudo isso, tenho todos os motivos para manter a minha atitude céptica e esperar até o dia em que meus olhos me forçarem a acreditar que alguma coisa foi feita para recuperar o farol (se esse
dia vier). Mas... há agora uma réstia de esperança e esta quem ma traz é a estrada Porto Novo / Janela que passa bem pertinho do farol. Aliás, foi na sequência de uma visita às obras dessa estrada que o ministro Manuel Inocêncio falou na intenção de se vir a fazer alguma coisa para recuperar o que ainda pode sobreviver do farol.E todos sabem que, rentabilizando aquele espaço, pode-se aproveitar aquela fantástica vista que se tem sobre toda a costa Norte de Santo Antão, com o ilhéu dos Bois logo ali no sopé. (logo aqui ao lado, também)
Nome: Farol Fontes Pereira de Melo
Localização: Pontinha de Janela, Noerdeste Santo Antão
Início Construção: 1884 (começou a funcionar em 15/05/1886
Torre: 10,7 m
Lanterna: 4,5 m, assente numa base metálica com 3 m de diâmetro
Alcance: 27 milhas
Há dois anos escrevia aqui o meu primeiro post sobre o farol. E se daqui há dois anos tivesse que publicar outro post a dar conta das obras de recuperaçã0?!! Mas prefiro deixar accionado o meu desconfiómetro até meus olhos ordenarem o contrário.
02 Outubro 2008
Vultos da Ilha

Trabalhou nas ilhas de Santo Antão, Santiago, Sal e São Vicente, foi professor de liceu, juiz substituto do tribunal de Sotavento, Vice-presidente da Câmara Municipal da Praia, e na vida associativa foi sócio da Associação Académica de Coimbra, presidente da Comissão Administrativa da Rádio Clube de Cabo Verde e depois do Grémio Recreativo do Mindelo.
29 Setembro 2008
100º Post
Este é o post nº 100 do Sinta10. Há cerca de dois meses de completar 3 anos, uma centena de postagens não constitui, certamente, motivo de celebrações. Com um ritmo bastante irregular e descomprometido, este canto vai esgrovetando como pode a sua ilha querida. Uma missão que, decididamente, não pensamos abandonar tão cedo, pese embora algumas hibernações sazonais. 17 Setembro 2008
Estritin


Fotos: BCN
12 Setembro 2008
O vale, a chuva e o verde












Fotos: BCN
10 Setembro 2008
O vale, o verde e a (falta de) estrada (II)
Linda
Acabo de regressar da ilha. A chuva disse lovód nome Déus, os campos estão pintados de verde, a terra tem agora outra cheiro e outra pinta. Vi cascatas, cachoeiras, aga na rbêra. Ah, minha ilha é linda, lindíssima. Sintanton, como te quero! quero-te tanto... assim como o Abrão quer Santiago! Ahhh, e és linda, muito linda, lindíssima.01 Agosto 2008
Casta de cosa ê ess?
Ponta do Sol, Pescadores e Cavala
Apesar da medida pertencer a um pacote aprovado em 2005, portanto há já 3 anos, parece que muitos ainda não se consciencializaram do quanto é importante e necessário que haja um período interdito à pesca de certas espécies, quanto mais não seja para que as mesmas possam reproduzir-se “em paz” e garantir assim a continuidade da espécie.
É certo que qualquer medida restritiva do género tende a chocar com intereses económicos, sobretudo quando se trata das comunidades piscatórias que muitas vezes têm poucas alternativas de sobrevivência. No entanto, vista numa lógica de medio ou longo prazo, apercebe-se da utilidade de tais medidas.
A cavala é uma espécie bastante comum nos mares de Cabo Verde e, segundo o INDP, o cerco a essa espécie é ainda bastante expressivo nas comunidades de São Pedro (São Vicente), Palmeira (Sal) e Ponta do Sol (Santo Antão).
Ah, sim, Ponta do Sol! Falar de Ponta do Sol implica falar de pesca, implica falar, já agora, de cavala. Na região Norte da ilha não existem muitos ancoradouros de botes pelo que se pode dizer que a vila da Ponta de Sol se afigura como um grande bastião de pesca dessa região e, quiçá, de Santo Antão. Na vizinha vila da Ribeira Grande, não se pesca, pese embora situar-se a beira-mar. A propósito, abro um parentesis: há alguns anos, por altura do festival Sete Sóis Sete Luas, estava Tito Paris em palco, quando dedicou a música mar d’ilhéu “a todos os pecadores desta vila" (Ribeira Grande). E aqueles que estavam mais perto do palco gritaram em uníssono, ei e’n den pescador. O artista, apesar de parecer incrédulo, teve que reformular a dedicatória.
Mas voltando à vaca fria: é facil adivinhar o apuro dos pescadores da Ponta do Sol, neste período em que é proíbida a pesca da cavala. Arrisco mesmo a dizer, eu que não sou do litoral, que falar em pescado na Boca de Pistola (foto) quase que implica falar de cavala, caso contrário, hoje mar e’n dá pêxe. Mas a entrada hoje em vigor da medida, como sempre, não deixou os pescadores solpontenses indiferentes. Segundo o nosso HF, os mesmos estão chatiados porque a medida lhes apanhou de surpresa e reclamam porque deviam ser avisados com antecedência. (!!!???)
De qualquer forma todos devem empenhar-se no sentido de garantir o defeso dessa e outras espécies durante o período estipulado. Só assim poderemos garantir melhores dias para as gerações vindouras. Se medidas do tipo tivessem sido tomadas no passado em relação a outras espécies, talvez eu e meus colegas ainda tivéssemos conhecido na ilha esta espécie, por exemplo.
Saudosismos a parte, resta-nos desejar boas férias à cavala.
Obs: A cavala é tão popular pelas bandas da Ponta do Sol e zonas limítrofes que um dia nha Lurdes, lá de Selada, mandou o criado Ivanildo (moço lá de Ribeirinha Curta) ir comprar peixe no carro que vinha buzinando. Ivanildo chegou na viatura e ficou indeciso porque não viu “peixe”. Lá acabou por fazer a compra e regressando à casa rematou: "Nha Lourdes, mi’n otchá pêxe ma e’m trezê cavala”
19 Julho 2008
Burro na grelha
O burro sempre fez parte do quotidiano do camponês caboverdiano. De uma utilidade extrema, este animal revelou ser, ao longo dos tempos, um grande aliado dos habitantes das ilhas mais rurais de Cabo Verde, sobretudo como meio de trasnporte (de cargas como pasto, géneros alimentícios, cimento, areia, água, pessoas etc.)18 Julho 2008
Vultos da ilha
Luis Romano(Luis Romano, Clima, 1963)
04 Julho 2008
Queijo
Ao referir, no post anterior, à "casca" de queijo lembrei-me das farras que fazíamos na ilha: queijo com pão, comprado lá na casa de Nha Guida. As quartas-feiras aguardávamos ansiosos a chegada da senhora que ia à Lagoa abastecer de queijo fresquinho para depois comprarmos a 120 escudos unidade.03 Julho 2008
VIVA QUEL VIM (Memórias de escola primária)
No dia do exame: cólê texto que bo dá? mim e'm escolhê "A chuva amiga" e bo? Mim foi professora que escolhe'm nhe texto, e'm dá "Maravilhas do Mar. E bô? mim e'm escolhê "O cabritinho Obediente". Uahh, quel texto lá é sébim, mim e'm te elel etê de cor: (...) conta-se que um dia a mamâ cabra antes de sair da casa disse ao cabritinho: - fecha a porta com a tranca e não abra a ninguém!
Ninguém queria ter, em Julho, um desfecho tão trágico. Por isso, a preparação começava desde Outubro do ano anterior e todos os detalhes eram levados em conta. Outros, desconfiados e supersticiosos, apostavam em plantinhas com tendências visionárias: pegavam nas folhinhas de uma planta, que agora me escapa o nome, e colocavam no meio do caderno. Se esta murchasse, hum, mau sinal! Mas, se ao contrário, permanecesse viva, hey... bons ventos.!!
30 Junho 2008
Vultos da Ilha
Sinta10 começa hoje uma nova rubrica que pretende (apenas) lembrar os grandes homens que se brotaram da ilha. Este primeiro post é dedicado ao poeta Januário Leite (este nome foi muito evocado nas últimas semanas por causa do caso que se estoirou no liceu que tem seu nome). Mas aqui a nossa música é outra. E a escola também... já agora! Os óculos no nariz, bem cimentado
antigo professor está sentado
A lição é de história. Já casmurro,
A tosca mesa abala!...o aluno em pé
16 Junho 2008
PAXANHA
Ai-ai! De momento, não é este o meu propósito, estar a enumerar um ror das boas coisas que me faz saudoso da ilha, do meu berço Ribeira da Torre, mas sabe é impossível não sentir saudades. O meu objectivo, por ora, é compartilhar contigo, amigo leitor, as estórias divertidas - “as boas alegrias merecem partilha”, não é?
No descanso das horas vagas, geralmente depois do almoço, recordo-me das estórias e das invenções das gentes bem-humoradas da ilha. Hoje, as peripécias e as invenções de Paxanha resolveram invadir o meu pensamento. Esta personagem é apenas uma das muitas figuras notáveis no engenho de pirraças, gaiato, com um senso de humor deveras fora do comum.
Paxanha, homenzarrão de lá de Cabouco de Peregrinas, alto claro com uns bons 90/100kg - um texugo, bebedor do seu grogue como um bom santantonense, bom garfo - ainda bem, porque se não os muitos copos já o tinham mirrado o corpanzil que ostenta – pois é, Paxanha é um exímio voraz. Certo dia, na altura das sementeiras, fomos ao Lombo de Santa cumprir a missão de todos os anos - enterrar o milho, ainda que na terra ressequida, e esperar pela graça de Deus. Levamos da fértil Ribeira da Torre, mandioca, banana verde, fruta-pão, feijão ervilha seco, toucinho e demais ingredientes necessários à uma feijoada que faz delícias ao estômago. Uma senhora de lá de Lombo de Santa, muito meiga e amiga do meu pai era a encarregada de nos preparar aquele banquete – almoço feito para nove enxadeiros, mas que sobrava para alimentar Lombo de Santa inteiro, se não fosse o ímpeto destruidor deste homem - Paxanha COOOOOMEEEEEU, até que não conseguiu levantar, ficou prostrado debaixo da afável mangueira que nos serviu de sombra, não mais conseguir dar um kova de milho - um trabalhador perdido pelo resto do dia. Era um gozo, em uníssono nos tud tava dzé – "kmida kmê Paxanha", este nem nos dava ouvidos.
Como um notável comedor, ele também é um devorador de grogue. Um dia, ele panhá um fuska lá no Stakay que ficou completamente bragundo, pior que Frénk du Pi depois daquela krascada em o Rabo da Bruxa, lembra? No regresso à casa, a meio caminho, entrou num curral onde criava umas cabeças de cabras. A julgar ser este a sua casa, entrou sorrateiramente, ainda que aos tombos e deitou junto à uma cabra. Após algum tempo, a carente cabrinha enrosca no nosso perdido, este crendo ser a sua verdadeira companheira do lar, sussurra – "Méria txgá pralá, bô ti te ingôtxém!!"
Paxanha é deveras uma personagem versátil. É capaz de tudo um pouco. Este facto que te vou contar é assunto sério, por favor não gracejas, o meu pai merece todo o respeito, homem honesto e trabalhador de lá de Ribeirinha de Jorge, respeitador e respeitado por todos, palavra de honra! Só Paxanha, para brincar com coisas sérias. Não enfadonhas, amigo leitor, conto já a brincadeira de mau gosto, tramado pelo nosso gordo insolente PAXANHA. Num dia infeliz, meu pai teve a má sorte de cair de um pé de fruta-pão duma altura de pelo menos cinco metros, (os ramos desta árvore não são muito fortes, quanto menos, quando estão prenhes de frutas, o ramo desprendeu e pumba), como deves calcular meu mestre não ficou com o corpo sadio, apanhou muitas pancadas, sobretudo nas costas, quem o melhorou foi um daqueles curadores natos de lá da ilha do Chiquinho, já não me lembro o nome deste bendito homem, alto, magro, meio desengonçado, cabelos ruivos – um sueco. Através de um método incrível, ele conseguiu tirar ao meu pai vários hematomas – sangue pisado nas suas costas que o atormentava.
Passado algum tempo do incidente, o maldito Paxanha inventou e perguntou o seguinte ao meu pai – "ó Maika, bô fi David dzé kma bô kei dun asa dun avião?" Brincadeira de mau gosto, papá optou pelo silêncio a pensar como é que um filho foi capaz de dizer tamanha asneira. Quando chegou em casa confessou isto à minha mãe – esta que conhece muito bem os filhos que educou e também as diabruras de Paxanha, de pronta negou que o bom David fosse capaz de dizer tal disparate, categoricamente afirmou ser invenção de Paxanha. Meu pai não se convenceu e ficou mesmo com raiva do inocente filho. Certo dia, minha mãe, a zelar para o bem-estar do lar, encontrou o nosso visado e teve que lhe perguntar se deveras David lho disse que Martim tinha caído de uma asa de avião. Paxanha com ar de sonso respondeu – "amoje kondera, foi binkedera minha ôme, kome, Maika kerditá?" Minha mãe pediu-lhe então que fosse desenganá-lo porque anda convencido que foi da boca do coitado David que saiu a maldita frase e por isso anda descontente com ele, muito descontente.
Paxanha felizmente aceitou o pedido e numa ocasião convenceu o meu mestre que tal brincadeira foi invento seu. Paxaaaanha! E agora papá que lição? Confie sempre na sua família, porque ela é guardiã, está bem?
13 Junho 2008
Santo António
27 Maio 2008
Memórias de Puvoçon
21 Maio 2008
PIRRAÇAS ... made in Sinta10
Ribeirinha de Jorge, particularmente, tem recebido algumas dessas pessoas, lembro-me do Fabal, do Pé de Rót, do Pé de Aranha, (estes numinhos são-lhes postos pelos rapazes buzód da zona), do Nelson e do Meteje de Deolinda, do Péd Cabeça, entre outras figuras que de certo modo alegravam e alegrem a zona com as suas peripécias, cada um a sua maneira.
Merci, Djédjin
06 Maio 2008
Esgrovét
Na sua missão de tentá esgrovetá Sintédez de lés a lés, hoje Sinta10 desenterra (literalmente) um leão que jaze algures na Vila das Pombas, Paul. Esta imagem que conta já décadas de existência, foi resgatada da saudosa Ekhos do Paul, revista trimestral editada em Santo Antão nos inícios dos anos 90.Eis o texto que acompanha a fotografia:
"A natureza tem coisas curiosas. Pena é que nem sempre se lhes da o devido valor. Este leão (ver foto), petrificado, em posição de guarda e de vigilia perene do ancoradouro do Paço e que sobreviveu a séculos de fustigante mar bravio e do vento de nordeste, foi soterrado, em 1990, com os trabalhos de terraplanagem do novo campo de futebol na zona de -Antonio Soare, no Paul. Fica, no entanto, a
imagem para a posteridade. Ou será que ainda é possivel a sua recuperação? E se os jovens fossem lá tirar a prova, com o apoio, é claro, do Município?"
In Revista Ekhos do Paul, nº 2, Abr/Mai/Jun 1992, pág 46
Foto: Rosendo Pires Ferreira (RPF)
29 Abril 2008
150 anos da Praia com olhar sampadjud
Hoje, Sinta10 contorna um pouco a sua linha editorial, assente em esgrovetá Santo Antão de lés a lés, para escrever duas linhas sobre a Cidade da Praia, que completa 150 anos. 22 Abril 2008
Contos e factos
A Sova (contingências de um castigo precoce, entretanto não consumado)
João Bento, 13 de Dezembro 1945
“Estou indo para a Ribeira, para não ter filho de Antonin, nem de casado, nem de solteiro, para não danar a minha família”
Ouvida a explicação, Nhô João Martinho calou-se. Por longos minutos pai e filha permaneceram em silêncio, sem se olharem um para o outro. O olhar de João Martinho continuava fito na parede, enquanto Mariana não se levantava a cara do chão.
De repente o pai quebra o silêncio e com uma voz forte e acusadora disse: - sai da minha presença… afinal não é o que queres?
Mariana saiu pé ante pé, tão devagar que parecia recear uma investida do próprio solo que pisava, contra ela. A partida para a Ribeira devia acontecer dentro de três dias, num sábado. Por isso, até a largada, Mariana não queria que houvesse mais motivos para alimentar a ira do pai.
Como que a querer aliviar um pouco o peso da consciência, Mariana pegou num balaio e caminhou em direcção à Merada de Ladeirinha, à cata de feijão.
Estava-se no mês de Dezembro, ainda não havia muita produção, e a apanha de feijão era um processo demorado, já que se ia apalpando e escolhendo as vagens cheias das que ainda deviam permanecer na mãe.
A Mariana tinha deixado em casa o filho de 1 ano e 11 meses. Já passava do meio-dia e ainda não tinha regressado à casa. O pequeno Joãozinho não parava de chorar. A dona Gertrudes, mãe da Mariana, acalentava-o mas sem efeito. Cada vez o petiz chorava com maior intensidade e não dava sinais de querer interromper essa sua tarefa.
Há três metros de distância Nhô João Martinho encontrava-se sentado na soleira de uma portinha que dava para uma despensa contígua à uma cozinha em estilo funco, onde se preparava os matares-de-injú. De pernas esticadas, preparava algumas gavelas de cordas de carrapato para uma amarração de palha de milho que tinha agendado para o dia seguinte com alguns trabalhadores em Fajânzinha de Trás, uma merada algures em Ribeira dos Bodes. Concentrado no seu afazer, João Martinho parecia não estar a ouvir aquele choramingar do neto. Ou então, se ouvia, não esboçava nenhum sinal que denotasse alguma perturbação causada pelo nhéc nhéc nhéc ininterrupto do pequeno. Enquanto permanecia pachorrento na sua tarefa, a esposa, com uma calma impressionante, ia fazendo de tudo para que o netinho parasse de chorar, sem entretanto conseguir os seus intentos.
De repente, o estado das coisas muda. Nho João Martinho, que até então tinha se mantido no seu canto, levanta-se com fúria e dá duas voltas pelo corredor. Pela forma como o fez, adivinhava-se que algo pouco simpático estaria prestes a sair das entranhas do velho. E depressa se confirmou a suspeição. Ao fim da terceira volta pelo corredor, o homem lançou um forte suspiro, que as suas narinas pareceram soltar fumo qual turbinas de um trem movido à carvão. Dona Gertrudes, que bem conhecia os sinais do seu marido, começou a ficar tensa: - “Meu Deus, este homem já não está bem, o que é que ele estará a pensar, hein?” – suspirou Gertrudes.
E mal a mulher formulou o seu raciocínio, nho João Martinho sentenciou: “Dá-me cá esta merdinha, vou ver se comigo ele não pára com esta berraria”. E sem coragem de se opôr à ordem do marido, Gertrudes entregou-lhe o neto e correu para dentro da casa para fazer orações. Mas de nada iria valer as preces da mulher. João Martinho pega no pequeno chorão, leva-o para o cume de uma parede, ata-o as perninhas com uma das mãos e dependura-o de cabeça para baixo. Xpundród qual cabrito prestes a ser pêrrnód, o menino intensifica a berraria, fazendo lembrar os últimos instantes da vida de um pequeno capóde quando solta os apertados berros por entre a corda de piadura e a faca do matador. Entretanto, no exacto momento em que João Martinho se prepara para aplicar a primeira chicotada ao menino, Mariana surge em frente ao corredor com o seu saco de feijão à cabeça. Desesperada, larga a carga e grita em alvoroço: - “se o senhor vai fazer aquilo ao meu filho, é melhor que o deixe e faça comigo tudo o que quer fazer com ele.” À súplica da mãe, o velho ripostou: - “na verdade, é contigo que eu faço isso”. Mas a aflição de Mariana deve ter trazido à lembrança do velho a história da legítima mãe no Julgamento de Salomão. Sem soltar mais qualquer palavra, João Martinho largou o chicote e entregou o filho à progenitora, retomando, de seguida, a tarefa que havia interrompido.
Enquanto isso, Mariana, sentindo-se ameaçada com a ira do pai, arrumou de pronto os seus parcos pertences, meteu-nos numa pequena maleta que a sua madrinha lhe tinha oferecido e abandonou a casa dos pais. Foi então morar numa pequena casinha da sua prima, há três quilómetros de distância, numa zona chamada Chã Vermelho. E ali permaneceu com o filhinho até ao momento da sua largada para Ribeira, o que viria a acontecer três dias depois.
Mariana acabaria então por deixar o Cómp de Porto com uma justificação mais forte do que aquela que sustentara quando fora instada pelo pai a justificar a sua decisão de mudar de região. O “partir para Ribeira para não ter filho de Antonin”, de quem se dizia ser bruxo, dava lugar à uma espécie de obrigação em se retirar por ver a integridade física dela e do seu bebé ameaçadas após a atitude do pai.
19 Abril 2008
Dia dos monumentos e sítios - um olhar diferente
Ontem era dia dos monumentos e sítios. Há dois anos, por esta ocasião, lançava um olhar sobre Alcatraz. Este ano fui até o meu sinta10 escolher a estrada Porto Novo-Ribeira Grande. Para mim a obra é um autêntico monumento edificado por dezenas de herois anónimos que, de cordas amarradas à cintura iam escrepando rochas, pondo a vida em risco. Até ainda custa-me entender como esses herois, que não tiveram direito à bustos, conseguiram abrir o Delguédin12 Abril 2008
Bananas (de borla)
A desventura do Paulino em ter pago em Assomada 700 paus para meia dúzia de bananas dá que pensar. Tentando compreender como foi possível chegar à simpática soma, fiz muitos cálculos mas fiquei QO. Então, dei duas voltas à cabeça e fui vasculhar as minhas vivências em Santo Antão, marcadas por uma relação muito próxima com a banana, desde o plantio, a rega, a limpeza, o corte (colheita), o transporte e, claro a devoração do fruto.Lembrei-me daquelas "impolas" na palma das mãos quando perfurava-mos os buracos para meter as "herdeiras"; dos fusos insuportáveis que vinham dos nabos (caule apodrecido da bananeira) que cortávamos para tapar buzil e interrnôdor no momento da rega (nota-se que horas depois éramos nós a gerar esses fusos - meu irmão David tornou-se especialista nesta "arte"); das picadas insuportáveis das centopeias que quase sempre se encontravam no meio desses nabos; daquela chatice em carregar os cachos, com o receio de ficarmos com a nossa vestimenta pintada de nódoas; dos concursos a ver quem conseguia comer mais bananas em menos tempo...

02 Abril 2008
FIGURAS DA ILHA - Ménél Brôco
Os textos do Boltchôr aqui no seu blog me têm feito lembrar algumas peripécias de personagens castiças da ilha. Hoje, lembrei-me do Ménel Bróc, lá de Selada de Ribeirinha de Jorge. Cuitód, el e'mrrê vítima de atropelamento, em circunstâncias muito estranhas e nunca clarificadas (Déus te dél um descónse ne sê alma) 31 Março 2008
Saúde p'Antónia d'Aninha
Nha Antónia d'Aninha acaba de dar à estampa o Cd "Boxon", um trabalho que vem resgatar uma das tradições da ilha, infelizmente em queda livre: o "b'tá saude", outrora indispensável em algumas cerimónias, sobretudo casamentos. Com 76 anos, esta mulher é ainda das poucas que existem na ilha e que mantém acesa esta tradição. Nha Da Cruz Naça, lá da Ribeirinha de Jorge, era outro vulto nesta prática, mas infelizmente faleceu há dois anos. Para a posteridade apenas ficaram memórias. Felizmente, no caso de Nha Antónia, há agora este registo para as gerações vindouras! Ó saúd pe Déninha.. oooolélélélééé
27 Março 2008
Blog daquel bom
Também estou com aqueles que reconhecem muita dificuldade em fazer a escolha de 2 blogs daquel bom made in CV. Em cada blog CV encontro posts que me interessam bastante, sendo que alguns me prendem.Entretanto, como forma de fintar a dificuldade, nesta minha escolha guio-me apenas pelo critério da afinidade e parentesco
1 - blog do Paulino - por o considerar uma espécie de prolongamento (mais erudito) do meu sinta10
19 Março 2008
Coisas boas da vida


Na madrugada do passado dia 21 de Fevereiro registei estas imagens do eclipse da lua. Era por volta da 01: 45 quando, com três colegas, estava eu deitado no terraço da casa, de olhos para o ceu a captar estas imagens. No meio de um silêncio profundo, só se se ouvia de quanto em vez o latir de um cão que soava fundo. Foi uma experiência indescritível, assistir a uma das maravilhas da Natureza. Enfim, uma das coisas boas da vida, aprentemente insignificante que, só assistindo se poderá sentir quão impressionante é este mundo!!!
18 Março 2008
Um vôo para Santo Antão
O incidente que envolveu Jorge Santos e José Maria Neves, por altura da inauguração do Santantão Art Resort terá surgido tendo como pano de fundo a questão do possível novo aeroporto para Santo Antão. A ilha, que já não se recorda da forma de um aviunzin como certo dia escrevemos aqui, em materia de aeroportos por enquanto apenas serve de palco para incidente. Agora, não seria bonito que esse quiproquo fosse ultrapassado no dia da inauguração de um aeroporto em Santo Antão? Estou a imaginar o JMN e o JS no vôo inaugural sentados lado a lado em amena cavaqueira, momentos antes da aterragem do avião:JMN - "Anton, Tchoriss, bu ta lembra di quel dia qui bu tchoma'n 'mentiroso' li na Porto Novo, precisamenti por causa di aeroporto?
JS - Adé Zemas, inda bo ti te lembrá dess cosa? Aquilo já é passód, moss!! Gora ê so voá...
JMN - bu ten razon! E ..hoji cuzê qui ta sai?
JS - Um groguin lá de Coculi, queijo de Lagoa, pontche de Paúl... ó zemas bo tinha dzid que, pa nôs, Aeroporto não era prioridade, mas hoje e'm te dzê que prioridade é festa, heheheh
12 Março 2008
07 Março 2008
24 anos de Marcha
Em 1984 nascia em Porto Novo o grupo teatral "Juventude em Marcha". O agrupamento depressa se tornou popular devido à qualidade das suas peças, prenhes de humor, criatividade e muito trabalho de campo.Mas o grande bastião do grupo tem sido São Vicente. Não é por acaso que a grande maioria das suas actuações a nível nacional acontecem nessa ilha. O grupo tem sabido retribuir esse carinho e é de se notar que muitas das suas estreias acontecem em Mindelo.
Em comemoração aos 24 anos (as bodas já estão prateadas) o grupo tem agendado para este fim-de-semana duas actuações em Mindelo, com a mais recente peça "Jazigos da Boca de Pistola". Mais uma oportunidade pra malta de Soncent vendê télisca à vontade.
22 Fevereiro 2008
Passagem com outra pinta
20 Fevereiro 2008
18 Fevereiro 2008
Uma semana de Santo Antão na Praia (eco de um post no Djaroz)
Há dias o Djoy Amado surgiu com uma ideia interessante, tendo-a expressado aqui no seu blog. Gostei da ideia e pus-me a pensar.
Desde que estou na Praia conheci muita gente, vinda de todos os cantos, descobri outros costumes, outras realidades, mas, acima de tudo, comecei a conviver com pessoas de todas as ilhas. É aqui que reside o meu maior encanto por esta cidade.
Na Praia, pude conviver (e convivo) com pessoas oriundas de todas as ilhas de Cabo Verde, algo muito difícil de conseguir se se estiver numa outra ilha.
Uma cidade tão cosmopolita como a Praia deveria aproveitar muito mais desta condição e ser uma autêntica caldeira a efervescer manifestações culturais de todos os gostos, com criatividade a emanar dos poros de cada residente.
A ideia lançada pelo Djoy de ter um mês de cada ilha, nesta cidade é de facto muito bem vinda. Por mim, já bastava uma semana.
O Sinta10, de antena virada para Santo Antão, propõe aqui a semana da sua ilha na Praia:
Musica, dança, gastronomia, récitas, teatro, exposições, enfim um pouco de tudo made in Santo Antão, para não só dar a conhecer um pouco mais da ilha, como também proporcionar aos filhos e aos demais residente uma oportunidade de se sentirem dentro da ilha.
Imagino o Auditório Nacional lotado para assistir ao Juventude em Marcha; uma noite suave no Quintal da Música com os sons do Mix Cutura; o Centro cultural Francês a expôr a arte de Bento d’Oliveira, ou dos irmãos Levi; os Cordas do Sol a cantar linga de Sintonton numa rua do Plateau; um grupo qualquer das Fontainhas ou Figueiras ta ratchá uma contradança ou uma masurca; Leão Lopes a liderar uma conferência tipo “pensar Santo Antão; Paulino dias no Palácio da Cultura a contar as estórias de Fajâ Domingas Bentas; uma exposição/venda de doces, licores, pontche, queijos e outros produtos da ilha na Biblioteca Nacional, enfim…
Como seria bonito uma semana de cada ilha na Praia.
Sinta10 já fazê sê proposta, que venham mais 10!
11 Fevereiro 2008
Carnaval da Ponta do Sol
Em Santo Antão também há carnaval. A vila da Ponta do Sol ê bom nel, e já houve dias melhores, quando o carnaval da vila competia com o da Penha de França, vila da Ribeira Grande. Era sempre renhida a disputa entre Maravilhas do Oceano e Sol Real.10 Fevereiro 2008
Flagelados do Vento Norte (ou será ventos do carnaval solpontense?)
Ao deparar com os factos(?)pensei para comigo: isto é verdade, ou será uma piada de carnaval, já que a época é propícia para certas pirraças? Sim, porque, ao menos, se fosse greve de fome, teria dito que de certa forma já estamos acostumados com presos a injutir pitéu para reivindicar isto ou aquilo. Agora,faltar comida nas cadeias!!!, ainda por cima numa cadeia regional,com as dimensões da de Ponta do Sol?
Nisto, lembrei-me de um amigo busód da Ponta do Sol que há dias me contava, meio a sério, meio a brincar, que os presos dessa cadeia vivem sab pa fronta; que saem de manhã para ganharem o seu dia e voltam à tardinha; que organizam jogatinas com os habitantes da vila, etc., etc.
Hoje, ao comentar a notícia com um colega, este rematou: "talvez esses presos comam em casa pelo que a cadeia não deve estar preocupada em providenciar alimentação aos seus inquilinos"
Bem, brincadeiras à parte, a acreditar no Expresso da ilhas, a coisa é grave, grave mesmo! Créd n'emstêr!
28 Janeiro 2008
27 Janeiro 2008
MEMÓRIAS (histórias de Praia Formosa)
Cresci ouvindo hitórias sobre o naufrágio do "John", um navio americano que na década de 40 naufragara nas costas da ilha de Santo Antão, carregado de milho. O tempo era de crise, a fome grassava a ilha e a população morria a míngua. O naufrágio terá sido então um mal que veio por bem, porquanto a população, de todos os cantos da ilha, forjou uma famigerada romaria ao local, em busca de gãos de milho para "encher o papo"19 Janeiro 2008
O drama da chuva e a ilusão de óptica
Mas, esta contou-me o meu irmão e não me contive em risos:
Dizia-me que há alguns anos um jovem das Figueiras – uma das localidades mais encravadas do concelho da Ribeira Grande - lhe contara das dificuldades que ele e sua família tiveram que enfrentar em mais um ano de seca na ilha. A chuva não veio, os campos permaneciam ressequidos e o pouco pasto que ainda se podia encontrar estava tão tostado que as cabras negavam a comê-lo. Por mais que as alimárias tivessem fome não se mostravam dispostas a meter a focinheira no pasto, isto num claro desafio à máxima local segundo a qual “burro que tem fome ta cmê até córd”
Todo aquele que, na localidade, tivesse uma cabrinha estava desanimado porque nenhuma das criaturas dava sinais de querer suspender a “greve de fome”. Nem um pingo de leite para enganar o café preto as famílias conseguiam, já que as cabras, outrora leiteiras, estavam moribundas. Então, desesperado, que resolve fazer um dos moradores?
Arranja um punhado de garrafas verdes (daquelas que trazem vinho Tinto), corta-as em forma circular e com ares de arame fabrica alguns pares de óculos, bem especiais. Colocou um par nos olhos de cada cabra e não é que os bichos começam a devorar o pasto? Pois é, as cabras, coitadas, levadas pela ilusão de óptica, pensavam que a palha estava verde e devoravam tudo que lhes aparecessem pela frente. A partir daí começaram a restabelecer as parcas forças e até ressurgiu aquele pinguinho de leite para enganar o café.
Afinal, as cabras não só nos ensinaram a comer pedras como também nos obrigaram a fabricar óculos… especiais.
Pois, é o hábito tipicamente crioulo de brincar com a própria desgraça.
12 Janeiro 2008
As "alminhas de porra"
São, seguramente, a espécie de ave mais pequena que existe em Cabo Verde. Acarinhado por uns, amaldiçoado por outros, os pardais (alminhas de porra como lhes chamaram os Cordas do sol) sempre fizeram parte da vivência do homem rural cabo-verdiano. Dzusperóds que nem “menino nascido na fraqueza de lua” como dizia Baltasar Lopes em Chiquinho, os pardais formam bandos e ficam a esvoaçar de propriedade em propriedade a cata de alimentos. Frutos, legumes, ervas, larvas, pequenos insectos, flores... tudo lhes serve de petisco.E é precisamente por causa da sua manhenteza que as vezes são uma autêntica dor de cabeça para os camponeses. Que o diga os agricultores do interior do Porto Novo que, neste momento, conforme o A Semana, estão a travar uma luta contra estas criaturas. É que os pardais estão a dizimar as colheitas de tomate e cenoura, deixando os agricultores de cabelos em pé.
Lembro-me de quando erámos obrigado a levantar bem cedo e ir às meradas guardar os pardais para que não destruíssem as plantações de milho, no momento em que estivessem a despontar do solo os primeiros raminhos. Era uma tarefa muito chata, primeiro porque tínhamos que antecipar o amanhecer, depois porque tínhamos que ser bem ágeis com as nossas fundas para poder acompanhar as constantes inversões de marcha dos bichinhos. Mas isso era apenas uma vez por ano, quando as sementes de milho estivessem a germinar, entre Julho e Agosto. O que acontecia o tempo todo era as assadas de pardais,
que montávamos depois de os caçar nas sorças feitas com latas de atum e laçadas de linha de nervo.Era um prazer dar nos dentes as canelinhas de kitch dos bichinhos e depois exclamar: “bsot ê dzesperod ma nos é que te cme bsot".
10 Janeiro 2008
O combate à PDM
Aleluia, aleluia! O suspiro deve ter saído em uníssono e ecoado por todas as ribeiras, ladeiras seladas e cabeços da ilha. Os agricultores de Santo Antão vão poder, finalmente, comercializar seus produtos nas ilhas do Sal e Boa Vista, pondo fim a mais de vinte anos de quarentena por causa dos malditinhos milpés. Ahh, malditinhos não, são malditões! Imaginem, então, um bicho que resistiu mais de duas décadas à tudo e todos! Nem governos, nem governantes, nem presidentes, enfim nenhuma autoridade pôde, ao longo de todo esse tempo, arranjar forma de dominar o pirralho para assim poder levantar o embargo. Nem as antigas Milícias, nem as FARP, nem a POP e nem a PN conseguiu, ao longo de todos esses anos, barrar a passagem desses bichinhos na fronteira? Que força, hein!Agora que somos PDM vamos, finalmente, conseguir criar um centro de expurgo para a PDM. Não se assuste, este 2º PDM refere-se à Praga Dos Milpés.
05 Janeiro 2008
Mar de canal
Terminou as curtas férias de Natal e fim-de-ano na ilha. Como é doloroso o momento em que se entra no hiace para galgar as colinas rumo a Porto Novo - a agora única porta da ilha (porta por onde diariamente saem e entram centenas de pessoas)!No dia 2 de Janeiro, ao ver as três embarcações que todos os dias fazem a ligação Santo Antão - São Vicente a se aproximarem, como que em fila indiana, do cais do Porto Novo, pus-me a pensar: - e se houvesse uma ponte a ligar as duas ilhas? Afinal, alguns dos desejos do António Ludjero Correia para Cabo Verde não são tão utópicos quanto
possam parecer.06 Dezembro 2007
Paul, Casa do Escritor e... Oriente
Paúl esconde encantos, belezas, um potencial turístico enorme. Paul tem história, tem (agri)cultura...Paul encanta, por isso muitos que por lá passam, cantam-no.
E não será, certamente, por acaso que o "berço de Januário" poderá vir a albergar a Casa do Escritor. A ideia já foi lançada e, aos seus promotores - Vera Duarte, e AMIPAUL - Sinta10 levanta um aplauso e aproveita para propor uma viagem diferente ao concelho.
O Oriente no Paul
Ao reparar nesta foto me veio à memória a Grande Muralha da China. É certo que por esse caminho não chego a nenhuma muralha. Antes, esta vereda, que até parece transportar-nos para o além, leva-nos até algures em Santa Isabel, no concelho do Paul.
Não sei porquê, mas não consigo deixar de associar esta imagem à majestosa Grande Muralha. Salvaguardando, claro, as proporções.
E, já agora...
que dizer deste exemplo de interculturalidade?
O autor da 1ª fotografia é a personagem que agora aparece nesta 2ª. De nacionalidade chinesa, Kayo esteve em missão no Paul durante cerca de 5 meses, ao serviço do Corpo da Paz. Mas não vou falar dela. Falo da foto, da riqueza expressiva que a mesma encerra.
A cobertura da casa, as paredes em pedra seca, a porta e a sua fechadura, a escada de pau e o sôrron faz-nos mergulhar num Santo Antão profundo. Ainda, num primeiro olhar este mergulho no profundo poderá ser bruscamente interrompido pelo “elemento estranho” – o chinês. Mas, um olhar mais demorado desvenda, em vez de um “ruído”, um exemplo de perfeita comunhão de povos, de integração onde eu te dou e tu me dás. Os chinelos que aparecem em cima da escada são um produto chinês, trazido pelos comerciantes. O nativo comprou-os usa-os no dia-a-dia. De tanto utilizá-los, teve que aplicá-los alguns pontos para aumentar a sua durabilidade. E é provável que tenha usado linha de cisal preparada a partir da planta que cresce nos cumes das montanhas da ilha.
Já, o sorron nas costas da chinesa é bem nosso. Só não sei se nessas costas o mesmo terá seguido viagem até ao oriente. Quem sabe!?
14 Novembro 2007
PASSAGEM: SOS na primeira pessoa
Mas estou revoltado: é que já estive bem melhor. A minha piscina, meu ex libris, está feinha, meus canteiros já não têm ervas verdejantes. Porque será que estão e destratar-me desta forma, eu que já servi tanta gente, sem olhar a quem!!!" Don't forget me, please! I'm (was) so nice!





































